TradeMate · FIX 4.4 Padrão atual: PUMA UMDF · FIX 5.0 SP2

TradeMate: panorama técnico

Uma leitura objetiva de onde o TradeMate está tecnicamente atrás do padrão mais moderno da própria B3 (o PUMA UMDF) — e dos fatores de contexto que ajudam a explicar essas escolhas. Sem juízo de valor: só o que a documentação mostra.

FIX 4.4base do protocolo
TCP/TLStransporte
Renda fixaescopo
2018+plataforma em nuvem

01 Contexto

O TradeMate é a plataforma de negociação eletrônica de renda fixa da B3, com conectividade via FIX 4.4 sobre TCP/TLS (Order Entry, Market Data e Drop Copy). O PUMA UMDF é o feed de market data mais moderno da B3 (FIX 5.0 SP2 + FAST, multicast), usado pelos mercados de ações e derivativos. Comparar os dois mostra o quanto o modelo do TradeMate é mais antigo — em parte por escolha, em parte por contexto.

02 Onde está tecnicamente atrás

Pontos, de forma objetiva, em que o TradeMate adota um modelo mais antigo do que o padrão atual da B3.

Protocolo

FIX 4.4 em texto

Usa FIX 4.4 tagvalue ASCII. O padrão atual (UMDF) é FIX 5.0 SP2 com compressão FAST — mais enxuto e eficiente na banda.

Distribuição

Assinatura via TCP

Market data por request/subscribe ponto-a-ponto. O padrão moderno é difusão por multicast, que escala melhor para muitos consumidores.

Recuperação

Apenas ResendRequest

Recuperação de lacunas só pela sessão (35=2). O UMDF oferece TCP Replayer/Historical dedicado (BW/BX/URDR/BY).

Modelo de dados

Sem canais tipados (ApplID)

Não adota o modelo de canais MBO/MBP/TOB identificados por ApplID, hoje padrão no feed da B3.

Dicionário

Enums e tags próprios

Taxonomia (SecuritySubType 1–10), TradeCondition e InstrAttribType divergem do dicionário consolidado do UMDF.

Capacidade

Throttle de 50 msg/s

Limite por sessão adequado ao volume de RF, porém modesto frente à infraestrutura de alta frequência do PUMA.

03 Padrão atual × TradeMate

AspectoPadrão atual (PUMA UMDF)TradeMate
Versão FIX5.0 SP2 (ApplVerID)4.4
CodificaçãoFAST (binário comprimido)Tagvalue ASCII (texto)
TransporteMulticast UDPTCP ponto-a-ponto (TLS)
ModeloPush (broadcast)Pull (assinatura)
LivroMBO · MBP · TOB (canais)Order Depth (estilo MBP)
RecuperaçãoSnapshot loop + TCP ReplayerResendRequest (35=2)
Identificação de canalApplID

04 Fatores de contexto

Nem toda diferença é defasagem sem motivo. Alguns fatores explicam, com justiça, as escolhas do TradeMate.

05 A régua: evolução do FIX e onde cada um parou

Contexto de indústria: o protocolo FIX evoluiu em camadas — sessão, codificação e performance. Colocando B3 e TradeMate na mesma régua, a posição de cada um fica visível.

2003

FIX 4.4 · tagvalue ASCII

Sessão e aplicação acopladas, texto puro. Virou o "inglês" dos OMS — quase tudo fala 4.4 até hoje.

← TradeMate está aqui (OE, MD e DC)
2006–11

FIX 5.0 / SP2 + FAST

Separa transporte da aplicação (FIXT), adiciona compressão FAST para market data de alto volume.

← PUMA UMDF está aqui (feed oficial)
2010s

SBE + FIXP · binário de baixa latência

Simple Binary Encoding com layout fixo (decodificação em nanossegundos) e sessão FIXP enxuta. É o modelo do CME iLink 3 — e do Binary EntryPoint da própria B3 para entrada de ordens no PUMA.

← Estado da arte, já em produção na B3
O ponto-chave: a B3 já opera as três gerações ao mesmo tempo. O TradeMate ficou na primeira — a mais compatível, porém duas gerações atrás do que a própria bolsa oferece em ações e derivativos.

06 O custo real: manter dois stacks B3

Para um integrador que já opera PUMA/UMDF, aderir ao TradeMate significa duplicar camadas inteiras. É aqui que a defasagem vira custo concreto.

CamadaJá existia (PUMA/UMDF)Precisa construir p/ TradeMate
DecoderFAST / SBE certificadoParser FIX 4.4 tagvalue com dialeto próprio
DicionárioEnums UMDF (SubType, TradeCondition, InstrAttrib)Segundo mapa de enums só para RF
RecuperaçãoSnapshot loop + TCP ReplayerLógica de ResendRequest/GapFill por sessão
ConectividadeMulticast (co-location/RCB)Túnel TLS (Stunnel/SocketUseSSL) + assinatura
CertificaçãoRoteiro UMDF já cumpridoNovo roteiro de certificação TradeMate
MonitoraçãoGap por canal/RptSeqGap por MsgSeqNum de sessão + throttle de 50 msg/s

Seis camadas duplicadas — nenhuma por limitação do integrador; todas por decisão de design da plataforma.

07 Exercício: como o TradeMate alcançaria a régua

Não é um plano da B3 — é um exercício de arquitetura sobre o que reaproveitar, em ordem de esforço.

Fase 1

Alinhar o dicionário

Adotar os enums do UMDF (SubType 1302+, TradeCondition RF, InstrAttrib 24/34/35) e aposentar a tag 290. Sem mudar transporte — só vocabulário. Maior ganho pelo menor esforço.

Fase 2

Recuperação decente

Expor um Replayer TCP (BW/BX/URDR/BY) reutilizando o padrão já documentado do UMDF. Elimina o risco de gap na reconexão.

Fase 3

Canais tipados

Introduzir ApplID e separar instrument list / snapshot / incremental em canais lógicos — mesmo mantendo TCP como transporte.

Fase 4

Codificação moderna

Longo prazo: oferecer SBE/FIXP como alternativa ao tagvalue — alinhando com o Binary EntryPoint que a B3 já opera no PUMA.

08 Contexto internacional: RF eletrônica é RFQ mesmo

Justiça de novo: no mundo, renda fixa eletrônica não se parece com equities. As grandes plataformas globais também giram em torno de RFQ e sessões dedicadas.

Padrão global de RF

RFQ como centro do fluxo

Tradeweb, MarketAxess e Bloomberg operam RF eletrônica centrada em request-for-quote, não em livro contínuo de alta frequência. O TradeMate seguir RFQ/Voice não é atraso — é o padrão do segmento.

Onde a régua aperta

Infraestrutura, não fluxo

O que essas plataformas não fazem é reinventar dicionário dentro da própria casa. A crítica justa ao TradeMate não é "por que RFQ?" — é "por que enums e recuperação diferentes do padrão da própria B3?".

09 Leitura final

O TradeMate adota um modelo tecnicamente mais antigo que o padrão de market data mais recente da B3. Parte disso é defasagem (enums/tags próprios, recuperação limitada, sem multicast); parte é adequação ao domínio de renda fixa. Para quem já integra o PUMA, o custo real está em manter dois modelos — não em uma suposta “qualidade inferior”. É uma escolha de arquitetura coerente com o público-alvo, ainda que conservadora em relação ao estado da arte.

Fontes: documentação FIX do TradeMate (B3) e página FIX/FAST UMDF do PUMA (B3). Para o detalhamento tag a tag, veja a comparação completa.

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